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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Mês da Bíblia 2012

A Bíblia, desde sempre, faz parte da caminhada do povo de Deus. “É nela que penduramos todo o nosso trabalho”, conforme nos ensina frei Carlos Mesters. A partir do Concílio Vaticano II, marco fundamental para o florescimento de uma Pastoral Bíblica da Igreja no Brasil, a Bíblia foi conquistando espaço e recuperando sua condição de valor fundamental na vida e na missão da Igreja.
No Brasil, o desejo de conhecimento e de vivência da Palavra fez surgir, com muito sucesso, a prática da leitura e reflexão da Bíblia nas famílias, nos quarteirões, nos círculos bíblicos, em grupos de reflexão, grupos de rua.
O Mês da Bíblia, criado em 1971 com a finalidade de instruir os fiéis sobre a Palavra de Deus e a difusão da Bíblia, também foi fundamental para aproximar a Bíblia do povo de Deus. Propondo um livro – ou parte dele – para ser estudado e refletido a cada ano, o Mês da Bíblia tem contribuído eficazmente para o crescimento da animação bíblica de toda pastoral.
Em continuidade a esta história, a Comissão Episcopal Pastoral Bíblico-catequética da CNBB definiu que, no Mês da Bíblia dos próximos quatro anos (2012-2105), serão estudados os evangelhos de Marcos (2012), Lucas (2013) e Mateus (2014), conforme a sequência do Ano Litúrgico, completando com o estudo de João em 2015.
Esta sequência repete a experiência feita entre 1997-2000, por ocasião da celebração do Jubileu 2000. O enfoque, agora, é outro. Visa reforçar a formação e a espiritualidade dos agentes e dos féis através do seguimento de Jesus, proposto nos quatro evangelhos. Está tanto na perspectiva de discípulos missionários e da Missão Continental, conforme nos pede a Conferência de Aparecida, quanto no esforço da Nova Evangelização proposta pelo papa Bento XVI.
Cada evangelho será relido na perspectiva da formação e do seguimento, destacando o que é específico de cada evangelista, bem como da comunidade que está por trás de cada evangelho.
No Mês da Bíblia deste ano de 2012, será estudado o evangelho de Marcos a partir do tema “Discípulos Missionários a partir do evangelho de Marcos” e do Lema “Coragem! Levanta-te, ele te chama!”  (Mc 10,49).
O material – livro para aprofundamento e círculos bíblicos- já está pronto e poderá ser adquirido nas Edições CNBB: vendas@edicoes.cnbb.com.br .


domingo, 13 de maio de 2012

A participação dos católicos nas eleições

“A autêntica ação política está profundamente enraizada na construção do bem comum da sociedade. Para nós, católicos, essa ação é consequência de nosso compromisso de levar o Evangelho ao dia a dia de nossa vida. Cabe-nos trabalhar incessantemente para buscar uma sociedade justa, fraterna e solidária. As frequentes notícias de corrupção, particularmente no mundo político, não podem tirar nossa esperança de alcançar esse fim – ao contrário, obrigam-nos a levar a luz da fé às realidades que formam o tecido social, buscando dar fim a tais fatos.” Assim começa a recente Nota da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, intitulada: “Orientações sobre a participação dos católicos nas eleições”.

Por que essas orientações e porque neste momento? A fundamentação teológica da Nota aparece em seu cabeçalho: "Antes de tudo, peço que se façam súplicas, orações, intercessões e ação de graças, por todas as pessoas, pelos reis e pelas autoridades em geral, para que possamos levar uma vida calma e tranquila, com toda a piedade e dignidade. Isto é bom e agradável a Deus, nosso Salvador” (1ª Carta de Paulo a Timóteo 2,1-3). Pouco depois, lê-se a razão de sua preparação e divulgação: “Conscientes de que são necessárias grandes mudanças na vida pública, nós, membros do Conselho Presbiteral da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, tendo como referência a Mensagem da CNBB, intitulada “Eleições municipais de 2012”, de 21 de abril de 2012, sentimo-nos movidos a apresentar aos fiéis e às pessoas de boa vontade alguns critérios que julgamos conveniente serem observados, para que cada um exerça  com plena consciência e clareza o dever de votar”.

A Nota, que pode ser lida no “site” da Arquidiocese de Salvador (www.arquidiocesesalvador.org.br), aborda quatro questões: O valor do voto, Os partidos políticos, Os candidatos e O uso de espaços institucionais da Igreja.

No primeiro ponto, é lembrado que “O voto é uma forma especial de participar diretamente das escolhas políticas. Por meio dele, cada pessoa dá sua própria contribuição à construção do bem comum; portanto, de modo algum é lícito vendê-lo ou trocá-lo por favores pessoais”. Seguem, então, três recomendações: que haja uma reflexão individual e em grupos “sobre os critérios de escolha dos que podem receber seu voto”; que sejam avaliadas “com cuidado, as campanhas dos candidatos, a quantidade de dinheiro gasto e as promessas feitas” e que, uma vez eleitos, os eleitos sejam acompanhados, uma vez que a participação política “não pode se resumir ao voto nas eleições”.

A seguir, a Nota lembra que também devem ser analisados os partidos políticos, para saber se aquilo que defendem “é coerente com os valores que a comunidade política deve tutelar em busca do verdadeiro bem comum”.

O terceiro ponto começa com uma tradicional observação: “Nunca é demais ressaltar que a Igreja Católica, por força da sua missão universal, não tem partidos ou candidatos próprios; incentiva, sim, que o voto seja dado a candidatos que, por sua vida pública, competência e trajetória política gozam das condições requeridas para o exercício das funções que pleiteiam”.

No último ponto, defendendo “o direito e o dever do engajamento político dos fiéis leigos”, a Nota apresenta critérios para o uso de espaços da Igreja – por exemplo: “Os espaços de igrejas e organizações religiosas não devem ser cedidos para iniciativas de campanhas partidárias”.

As Orientações da Arquidiocese de Salvador terminam com uma observação e uma orientação. A observação: “O período das eleições, momento importante na vida da sociedade, deve ser marcado por um autêntico espírito democrático”; a orientação foi tirada da Carta aos Hebreus: “Deus vos torne aptos para todo bem, a fim de fazerdes sua vontade. Que ele realize em nós o que lhe é agradável, por Jesus Cristo, ao qual seja dada a glória pelos séculos do séculos. Amém!” (Hb 13,20-21).

Por último, o que poderia estar no início da Nota: quanto melhores forem os nossos políticos, melhor será a nossa sociedade. A escolha deles, não podemos nos esquecer, depende de nós.

Dom Murilo Krieger

Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil

A Liturgia no Tempo Comum

Concluído o tempo pascal, retomamos o “Tempo Comum” que dentro da liturgia dá continuidade às celebrações dos assim chamados “tempos fortes” (Advento, Natal, Quaresma e Páscoa). É a caminhada histórica da Igreja, que vai pelo mundo anunciando a Boa-Nova do Amor de Deus, manifestado em sua presença pelo Mistério da Encarnação e a nossa salvação celebrada no Mistério da Redenção. A tônica desses domingos está na vida de Jesus, seus milagres, seus encontros, suas atitudes junto ao povo de seu tempo, remetendo-nos ao seu dia a dia, tempo fundamental em que o Reino de Deus é construído, revelado e propagado.

O tempo comum é o espaço onde podemos conhecer mais de perto o jeito de ser de nosso Mestre. Conhecer implica tempo, relação, aprofundamento e uma vivência mais próxima. O tempo comum nos possibilita esta aproximação com o Senhor e nos ajuda a perceber todo o mistério da salvação. Celebrar a cada dia e, em especial aos Domingos, é a convivência, na liturgia, com a Palavra Viva, que é o próprio Jesus.

Observando o jeito de ser de Jesus, vamos descobrindo que toda a sua vida é salvífica e tende para o bem de toda a criação. Cada gesto do Mestre descortina, diante do ser humano, a possibilidade da salvação e da felicidade que só Deus mesmo poderia nos proporcionar.

O Diretório da Liturgia e da Organização da Igreja no Brasil, no ano do Senhor de 2012, faz referência ao tempo comum da seguinte maneira: "A tônica dos domingos do tempo comum é dada pela leitura contínua do Evangelho. Cada texto do Evangelho proclamado nos coloca no seguimento de Jesus Cristo, desde o chamamento dos discípulos até os ensinamentos a respeito do fim dos tempos. Neste tempo, também as festas do Senhor e a comemoração das testemunhas do mistério pascal (Santa Maria, Apóstolos e Evangelistas e demais Santos e Santas)”.

Uma referência bastante significativa que nos possibilita uma compreensão ainda maior da riqueza do tempo comum, quando a celebração do mistério pascal de Cristo, núcleo fundamental de nossa fé, é vivida e comemorada também na vida de cada fiel e de cada comunidade.

Por meio do Ano Litúrgico e, dentro dele, o tempo comum, cada pessoa é chamada a configurar a sua vida à vida de Cristo e Dele aprender a ter os mesmo sentimentos que Ele teve. Mais, portanto, que uma simples repetição ou lembrança de fatos acontecidos, a celebração da fé deve atualizar e alimentar a vida dos batizados, tornando-se assim um caminho a ser percorrido e experimentado.

O tempo comum é o tempo de tornar comum o mistério de Cristo em nossas vidas. Ajuda-nos a perceber que Cristo é a realidade suprema e por excelência que jamais pode faltar em nossa vida. Ele é a fonte que jorra e faz brotar a vida para toda a humanidade. "Sem mim nada podeis fazer". (Cf. Jo15, 5)

Por meio dos hinos, dos salmos, das leituras bíblicas, das preces de súplica e louvor, da oferta generosa do povo de Deus que oferece suas primícias ao Senhor, o fruto de seus trabalhos e esforços, celebramos o mistério de Cristo. Uma salutar expressão de nosso caminhar pascal, percorrendo desde o nascimento de Cristo até sua morte e Ressurreição, bem como a sua Vinda Gloriosa e Definitiva.

É, pois, na celebração da Santa Missa, em todos os tempos de nosso caminhar litúrgico, que celebramos a ação de Cristo e do povo de Deus hierarquicamente organizado e ordenado à salvação, conforme suas condições próprias, oferecendo-lhes mais intensamente os ensinamentos da vida de Cristo e fazendo da celebração o centro de toda vida cristã, tanto para a Igreja universal quanto para a Igreja local e para a vida de todos os seus fiéis.

Que o tempo comum, que há pouco iniciamos, seja, portanto, a oportunidade de aprofundarmos o mistério de Cristo e de sua vida, de configurar nossa vida à de Cristo mesmo e de nos tornarmos discípulos anunciadores, missionários para que, olhando para o Cristo o mundo creia e possamos promover juntos a civilização do amor, baseada numa cultura de solidariedade e partilha onde todos, com o Cristo e o Pai, sejamos um.

Dom Orani João Tempesta

Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

Dízimo é partilha


Na sociedade contemporânea, encontramos pessoas insaciáveis no quererem sempre mais acumular para si, sem compromisso com o bem comum e, especialmente, dos mais deixados de lado. Por outra parte, a solidariedade acontece por quem é convicto de que é mero administrador das coisas materiais. A partilha é própria da pessoa generosa. Paulo lembra que Deus ama quem dá com alegria. O próprio Jesus fala da generosidade em repartir com verdadeiro amor. Ele próprio mostrou compaixão pelos que sofrem, vivem na miséria e na fome. Multiplicou alimento e mandou distribui-lo para o povo que o seguia.

As riquezas materiais são suficientes para todo ser humano viver com dignidade. O exagero de minorias terem demais provoca a injustiça a grandes parcelas que não têm ainda o necessário para a vida querida por Deus a seus filhos. Ninguém vai levar nada de material para a sepultura ou para a vida eterna. Quem pensa exageradamente em acumular perde muito do sentido da própria vida. O divino Mestre ensina o entesouramento do bem realizado nesta vida em vista da vida eterna. Se o ser humano não tiver um olhar para o horizonte da vida eterna ele se perde e se escraviza ao próprio eu egoísta, não sendo capaz de ser solidário e pensar no bem do semelhante.

A generosidade que leva à partilha se forma desde o berço, com o burilar do caráter. Quem constrói boa família é capaz de dar o exemplo e ensinar os filhos a partilharem. Muitos são exemplos para os filhos de solidariedade para com os empobrecidos, não só no dar alguma coisa a quem precisa, mas no ocupar-se em promovê-lo em sua dignidade. A união dos que assim fazem e pensam faz acontecer a justiça social e a promoção do bem social.

O profeta Eliseu ensinou um doador de frutos da terra a distribuir o pouco alimento com generosidade para muitos. O milagre da multiplicação aconteceu. Todos ficarem saciados e ainda sobrou (Cf. 2 Rs 4, 42-44). Jesus fez o milagre da multiplicação dos alimentos várias vezes. Ensinou-nos que a generosidade dá fruto. Deus não deixa faltar nada a quem é generoso em dar de si pelo bem do próximo e da comunidade. A experiência nisso tem feito muitos perceberem que se deve contemplar a vida e tudo o que se recebe nela para uma gratidão contínua ao Criador. Ele é o doador de tudo isso a cada ser humano. Tal atitude leva a pessoa humana a ser generosa em servir a comunidade com parte abundante do que recebe como dom divino.

Numa sociedade de muito fechamento no egoísmo, felizmente há também muita abertura e solidariedade por parte de pessoas de bem. A ganância deve ser repelida. A usura e a exploração da fraqueza do semelhante são chagas a serem curadas com o espírito de fraternidade e prática de serviço ao outro. A generosidade realizada por Deus em relação a nós deve nos mover à prática do amor ao próximo, à semelhança do que Jesus fala na parábola do bom samaritano.

Partilha
Dom José Alberto Moura

 
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